Gastroenterite significa inflamação do estômago e do
intestino. A gastroenterite mais frequente é a causada por toxinas bacterianas
que contaminam os alimentos (Intoxicação alimentar) mas existem também as causadas
por vírus (pe: vírus de Norwalk e o coxsackievírus) mais relevantes para este
tema de estudo, já que abordaremos patologias virais.
Causas
Durante o inverno nas zonas temperadas, os rotavírus (género
de vírus de RNA) causam a maioria dos casos de diarreia grave o suficiente para
exigir a internação de lactentes e crianças maiores. Além do estômago e do
intestino, as infecções por enterovírus e adenovírus também podem afectar os
pulmões. Determinados parasitas intestinais, particularmente a Giardia lamblia,
invadem ou aderem ao revestimento intestinal e causam náusea, vômito, diarreia
e uma sensação de mal estar geral.
A gastroenterite pode ser decorrente da ingestão de
substâncias químicas tóxicas encontradas em frutos do mar, plantas (p. Ex.,
cogumelos e batatas) ou em alimentos contaminados. Além disso, a intolerância à
lactose - incapacidade de digerir e absorver o açúcar do leite (lactose) - pode
causar gastroenterite. Os sintomas, que ocorrem após a ingestão de leite,
algumas vezes são irradamente considerados como indicadores de uma alergia ao
leite. A ingestão acidental de metais pesados (p. Ex., arsênico, chumbo,
mercúrio ou cádmio) na água ou num alimento pode desencadear subitamente
náuseas, vómitos e diarreias. Muitos medicamentos, incluindo os antibióticos,
também causam cólicas abdominais e diarreia.
Sintomas
O tipo e a gravidade dos sintomas dependem do tipo e da
quantidade do microrganismo ou da toxina ingerida. Os sintomas também variam de
acordo com a resistência do indivíduo à doença. Frequentemente, os sintomas
iniciam-se de forma súbita e, algumas vezes, dramática, como:
§ Perda do apetite;
§ Náusea;
§ Vómito;
§ Ruídos intestinais audíveis;
§ Cólicas abdominais;
§ Diarreia com ou sem sangue e muco
visíveis;
§ Febre;
§ Mal estar generalizado;
§ Dores musculares;
§ Fadiga externa
§ Possibilidade de provocar dor pela
distenção das alças intestinais pelo acumulo de gás.
O vómito e a diarreia intensos podem acarretar uma
desidratação importante e uma queda grave da pressão arterial (choque). Os vómitos e as diarreias excessivas provocam a perda de potássio, com consequente
redução da sua concentração no sangue (hipocalemia). A concentração baixa de
sódio no sangue (hiponatremia) também pode ocorrer, especialmente quando a
reposição líquida é realizada com a ingestão de líquidos contendo pouco ou
nenhum sal (p. Ex., água e chá). Todos esses desequilíbrios são potencialmente
graves.
Consequências
Quando observada em recém-nascidos, bebés e crianças pequenas,
a gastroenterite pode levar a desidratações muito graves e
problemáticas, pois bebés possuem uma quantidade de água proporcionalmente
superior a adultos e sabemos que a água é um elemento essencial ao bom
funcionamento de todo o organismo. Sinais de desidratação podem ser: sede
intensa, perda de peso, boca seca, diminuição do volume e da frequência da
urina, pulso acelerado, entre outras.
Fora às crianças pequenas, a gastroenterite pode levar à
complicações em pessoas mais enfraquecidas (idosos, pessoas com
sistema imunológico enfraquecido,....) e portanto, uma gastroenterite deve
sempre ser levada a sério e tratada da maneira mais adequada.
Diagnóstico
O diagnóstico da gastroenterite normalmente é óbvio a partir
da sintomatologia. No entanto, a sua causa frequentemente não é evidente.
Algumas vezes, outros membros da família ou colegas de trabalho adoeceram
recentemente e apresentaram sintomas semelhantes. Outras vezes, o indivíduo
pode relacionar a doença com a ingestão de alimentos cozinhados de modo
inadequado, estragados ou contaminados, como uma maionese que permaneceu
durante muito tempo fora de temperaturas de refrigeração.
Quando os sintomas são graves ou persistem por mais de 48
horas, devem ser realizados exames de fezes, no sentido de se investigar a
presença de leucócitos, bactérias, vírus ou parasitas. A análise do vómito dos
alimentos ou do sangue também podem ajudar na identificação da causa.
Tratamento
Normalmente, o único tratamento necessário para a
gastroenterite é ingestão de uma quantidade adequada de líquidos. Mesmo o
indivíduo que apresenta vómito deve ingerir pequenas quantidades de líquido,
pois este corrige a desidratação, o que, por sua vez, ajuda a interromper o vómito. Quando o vómito for prolongado ou quando o indivíduo apresentar uma
desidratação grave, deve ser realizada a reposição hidroeletrolítica (água e
eletrólitos) por via intravenosa.
Como as crianças desidratam mais rapidamente, elas devem
receber líquidos com uma mistura adequada de sais e açúcares. Qualquer solução
de reidratação comercial é eficaz. Entretanto, os líquidos normalmente
utilizados (p. Ex., refrigerantes, chás, isotónicos e sucos de frutas) não são
adequados para as crianças com diarreia. Quando o vómito é muito intenso, o
médico deve administrar uma injecção ou prescrever um supositório.
À medida que os sintomas melhoram, o indivíduo pode
introduzir lentamente alimentos leves e pouco processados (p. Ex., cereais cozidos,
bananas, arroz, compota de maçã e torradas) à sua alimentação. Se a dieta
modificada não eliminar a diarreia em 12 a 24 horas e se o indivíduo apresentar
sangue nas fezes (indicando uma infecção bacteriana mais grave), deverá ser
aconselhado por um médico para lhe ser administrado algum medicamento.
Prevenção
1.
Lave
suas mãos com sabonete (durante 15 segundos) regularmente, isto permite se
preservar de uma contaminação e evitar a transmissão a outras pessoas. É muito
recomendado, sobretudo se cuidar de bebés;
2.
Em
caso de gastroenterite na família ou em locais públicos, é aconselhável evitar
compartilhar copos.
3.
Evitar
comer alimentos que ultrapassaram a data de validade a fim de prevenir uma
intoxicação alimentar;
4.
Utilizar
luvas descartáveis em caso de contaminação de gastroenterite em asilos ou
outros locais fechados e muito movimentados;
5.
Se
as roupas estiverem contaminadas por vómitos ou fezes, lavar a 60°C;
6. Desinfestar as superfícies (banheiros, pisos,...) contaminadas por vómitos ou fezes.
